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reverencie2Hora de sair em férias e pôr os pés na estrada. Antes, porém, me dedico ao ritual com a casa, separo lixo orgânico, o reciclável, dizendo para o universo: “Ei, leva aquilo que já não preciso mais na minha vida, na minha casa, na lixeira”.

Dou uma geral na geladeira e vejo uma abobrinha e outros legumes com um “olhar deprimidinho”, então lavo tudo, pico e coloco pra congelar, afinal eles podem esperar até eu voltar.

Aproveito para separar roupas que gosto, mas que já não servem e pelo visto vão demorar mais do que desejo para servir. Hora de doar, liberar, deixar ficar o que faz sentido, o que cabe em mim, o que fica bom para esse momento de vida. Enquanto as separo,  lembranças povoam a minha mente, eventos que aconteceram quando usei certas roupas, alegrias vividas, emoções boas e ruins, o fato é que ao dobrá-las e colocá-las na mala de doações ou ajustes, também resolvo que certas emoções e lembranças devem ficar no passado com camadas de perdão, outras ainda merecem uma reciclagem e tudo bem ficar velhinha, mas com cara de nova pelos ajustes e novos recortes emocionais que darei à vida.

E por falar em passado: me lembrei agora que resolvi, nesse final de semana, revisitá-lo assistindo A Cor Púrpura.  Acho que vi esse filme em 1985, quando eu tinha 14 anos, e lembro de ter chorado muito absolutamente impressionada com o filme. Não o assisti novamente até esse último sábado.  Ao término do filme, continuei achando uma grande obra, mas já não vi com os mesmos olhos da menina de 14 anos. Tantas coisas se passaram, e evidentemente mudaram minhas perspectivas sobre a vida e o mundo, que cheguei à conclusão que certas emoções a gente deve deixar guardadinhas lá no lugar especial da memória em que nasceram  com a percepção ingênua da época.

Ao escolher o que vou levar na mala para esses dias de férias na casa dos meus pais, além das roupas e acessórios, levo meu tapetinho de yoga e apesar dele, ainda não sei praticar. A intenção é tirar a ferrugem das articulações, esticar a coluna e posicionar meu corpo para o novo ano que se aproxima.  Separei livros que não tive tempo sequer de folhear ao longo do ano, apenas passei os olhos, namorei a capa, ensaiei a leitura, mas acabou ficando na fila de espera, sendo assim, escolhi um romance, um de crônicas e outros. Levo meu caderno de anotações, pois costumo ter altas ideias quando estou descansando. Peguei dois livros de colorir na esperança de dias divertidos. Talvez esse seja um dos indicadores para eu prestar atenção em 2016. As coisas podem e devem ficar mais leves e coloridas.

Levo algumas receitas saudáveis para testar na cozinha ao lado da minha mãe, cozinheira de mão cheia, que sabe acrescentar camadas e mais camadas de sabores aos alimentos. Aliás, lá em casa, comida também é sinônimo de amor e ela já perguntou o que quero comer para poder preparar antecipadamente algumas coisas. Na cozinha dela, dentre outras atrações, tem fogão a lenha, bule e canecas de ágata, café moído na hora, amor À La Carte ou em compotas, se preferir. O pai fica rodeando a gente na cozinha a espera de beliscar alguma iguaria ou, quem sabe, um papo furado de final de tarde. As nossas conversas sempre começam com um boletim de como as coisas estão e depois passamos para os sonhos, desejos e planos. Entre um conselho e outro, uma piada, uma lembrança, uma gargalhada, um café.

Estou levando na mala alguns chaveiros das últimas viagens que fiz, meu pai coleciona e fica todo orgulhoso de mostrar o vasto painel colorido e renovado com as lembranças dos amigos. Os dois setentões amorosamente me mostram o grande jardim e as plantas novas, flores e frutos típicos da época. Ouço cada consideração, presto atenção aos detalhes, meu coração se enche de calor e emoção.

Verifico agora se todas as janelas estão trancadas, fecho as cortinas, coloco minhas orquídeas na lavanderia, dou uma última regada nas plantas, desligo os equipamentos, guardo o que deve ser guardado nas gavetas da lembrança, elimino junto com o lixo aquilo que não precisa mais ficar. Fecho a porta com uma sensação de dever cumprido. Coloco a mala no carro em meio a vários pacotes de futuro. Faço uma reverência a tudo que me trouxe até aqui e sigo rumo a 2016.

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Adriana Ferrreto

Strengths Coach certificada pelo Gallup® Institute
Executive Coach Certificada pelo Integrated Coaching Institute (ICI)
Certificação Internacional em Coaching Integrado.

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