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queijomofadoFeriadão dos bons para dormir e esqueço na noite anterior de desativar o alarme do celular que, disciplinado e constante, sempre ligado, se esgoela no criado mudo. Acho que chamam de criado mudo, porque tudo vê entre aquelas quatro paredes, escuta promessas, ruídos, juras de amor, choros de saudade e dúvida, sente o medo daquele que o habita. Criado mudo que aqui em Curitiba tem o pseudônimo de bidê (mas bidê não é aquela louça antiga de banheiro para lavar as partes?) Enfim…

Enquanto estou pensando a respeito do criado mudo, outro pensamento vem à mente: que preciso preparar uns materiais de trabalho para a semana e como vou distribuir meu tempo dentre uma multidão de afazeres. Mas um pensamento mais forte atropela tudo isso:  será que ele vai ligar ou ficará mudo como meu criado bidê ? Começo um diálogo com o nada, digo o que acho a respeito disso, respondo o que acredito que ele vá dizer, contraponho sólidos argumentos e vejo que “venci” a batalha de discutir sozinha um tema imaginário.   Isso tudo já gerou uma série de emoções, desde expectativa, ansiedade, tristeza e até um pouquinho de raiva, para começar a manhã bem aquecida.  No calor dessas divagações que me levaram para muito longe, longe da realidade, longe de mim, longe do agora, me assusto pela segunda vez com outro alarme, e pulo de sobressalto, “assim não dá, que feriado é esse que não posso nem ficar perdida de mim mesma?” É o interfone que anuncia que a moça do detox chegou com meus potes de realidade. Correndo vou escovar os dentes e minimamente arrumar a cabeleira que, a essa altura do campeonato, parece mais um pavão na época do acasalamento.

Guardo os potes na geladeira e penso que mereço no feriado, pelo menos, comer uma fatia de pecado com café, com um pedaço de queijo e manteiga, afinal, com o pecado presente, tudo fica mais palatável.

Penso onde vou pendurar os espelhos que comprei e se posso dar marteladas na parede no feriado, enquanto isso, o cheiro de café invade meu ser. Ao levar um pedaço de queijo à boca, percebo que está mofado, quase engulo uma múmia embalsamada e nem percebo, por estar envolvida no vício de pensar demais, estabelecer inquietantes e confusos diálogos mentais, querer encontrar sentido para  o tudo e para o nada, divagar sobre as possibilidades do futuro e lamentar a inércia do passado, fazer planos com os minutos, negociar com o tempo, querer controlar o imponderável.

Bom mesmo é aprender com meu criado mudo, que atento a tudo, aquieta-se no canto, se pacifica. Mas que paz ele fica. Ficar no presente, não adiar o agora, trazer a mente para o que de fato é real, perceber os queijos mofados colocados, quem sabe estrategicamente,  pela vida aqui e acolá. Sentir o gosto do café, escutar o silêncio da manhã do feriado, viver as sensações, emudecer a mente na paz da presença.

 

 

*créditos da imagem: Alexander Jansson

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Adriana Ferrreto

Strengths Coach certificada pelo Gallup® Institute
Executive Coach Certificada pelo Integrated Coaching Institute (ICI)
Certificação Internacional em Coaching Integrado.

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